terça-feira, 28 de outubro de 2008

Quem pensa neles?

Após ter saído de uma crise, que durou mais de dois anos, a suinocultura catarinense volta a passar por apuros. Uma situação inexplicavel para o produtor. Todos sabemos ou deveriamos saber, que a suinocultura é a base da economia da região onde vivemos, por isso devemos apoiar e incentivar esta cultura. Mas, para quem não sabe, vou explicar.

De que forma a suinocultura interfere para nós, sociedade? Para responder a pergunta, começo divulgando uma informação, em Concórdia, há 15 mil agricultores, destes cerca de 50% é produtor de suínos, os outros trabalham com avicultura, ovinocultura, bovinocultura, fruticultura e aquicultura. Em Santa Catarina, segundo dados da ACCS - Associação Catarinense de Criadores de Suínos - há 12 mil suinocultores.

A suinocultura é a atividade predominante no estado há pelo menos 70 anos. Inicou com pequenas produções, em propriedades que cultivavam várias culturas ao mesmo tempo. Após alguns anos, com a instalação de empresas produtoras de industrializados, como a Sadia, em toda a região, a cultura ganhou força e muitos interessados.

Hoje, as propriedades são grandes, mas ainda dependem de monopólios para se manter. Um exemplo claro disso, é o manipulação que as agroíndustrias fazem com os produtores de suínos, conhecidos como produtores integrados. Normalmente, quem vende um produto, oferece um preço a ser pago. Na suinocultura este processo funciona ao contrário, quem estipula o preço base e a data dos pagamentos são as empresas integradoras. Infelizmente estas empresas não pensam no produtor como um investidor, mas sim como um instrumento de manejo.

Nestes últimos dias, o preço pago pelas agroindústrias ao produtor de suínos, reduziu em 12%. O valor médio, passou de R$ 2,70 para R$ 2,35 por quilo de suíno. Para o suinocultor, a redução causa prejuízos, extresse e medo. Prejuízo, pois quando se compara o custo de produção com o faturamento, às vezes não sobra dinheiro. O extresse aumenta, porque o produtor precisa aumentar a sua produtividade para tentar compensar a perda, além de passar medo, pois ele não esquece, que a sua família vive disso.

Quem lembra deles? As entidades, as agroindustrias, a imprensa ou o governo? Pelas tentativas, apenas as entidades apoiadoras lembram dos produtores nestas situações. As outras não. As agroindustrias, existem para intermediar a negociação e lucrar com isso. A imprensa, nossos colegas de profissão, querem notícia, o mais importante é noticiar a queda, fazendo com que os produtores desacreditem na atividade. E o governo? Nunca vi, nem mesmo a Secretaria de Estado da Agricultura, "mecher os pauzinhos" para que a situação se reverta.

O que está faltando? Quando o produtor terá facilidade em permanecer na atividade? Daqui a quanto tempo ele terá tranquilidade no seu trabalho? Será que ele receberá por estar ajudando a sociedade?

Após analisar este cenário, percebo que apenas um ser tem o poder de oferecer um retorno, Deus.

Um comentário:

Ni disse...

Ka

adorei teu blog...
muito bom os textos.

Bjo